terça-feira, 13 de julho de 2010

Infância



Ás vezes eu lembro da minha infância, e sinto tanta falta dela, pois sempre que eu caia, meu pai corri me pegar no colo, me abraçava e falava pra mim não chorar, afinal ele estava ali comigo e isso era o meu maior motivo para conter as lágrimas. Cada vez que voltava da escola, corria dar um abraço na minha mãe, e lembro que ela me apertava com toda força e dizia que já estava com saudades. O papai noel, o coelinho da páscoa, a fada do dente, a cegonha, tudo era ilusão, mas uma ilusão boa, que me não machucava, nem se quer fazia sofrer. Os domingos em família era a melhor coisa que existia. Era tão bom quando todos achavam bonitinho o monte de bobeiras que eu falava. Eu pensava por momentos que a vida deles era a melhor do mundo, que eles não tinham problemas, que eles eram felizes. Era ainda melhor não precisar se preocupar com a moda, com as tendências, as provas, os compromissos, as responsabilidades, a vida social, e principalmente, os meninos. Mas como tudo na vida passa, a infância também. Aos poucos fui vendo as coisas mudar, as responsabilidades foram chegando de mancinho, e de repente, tomaram conta de mim. Agora não mais tinha alguém para me levantar depois de um tombo feio, tive que aprender a me virar sozinha. Descobri que o papai noel e todos os outros personagens fictícios que haviam na minha mente eram ilusão realmente, e tive que aprender a conviver com isso, porque muitas vezes a vida não passa de uma ilusão, onde colocamos expectativas de mais encima de algumas pessoas, e com isso nos decepcionamos feio. Os domingos em família aos poucos foram se perdendo, a falta de tempo de alguns, a distancia de outros, tudo isso foi tornando inviável aqueles bons momentos juntos. Agora se falo bobeira, ou faço uma simples brincadeira, é porque sou imatura, e não porque tenho em mim um espírito de criança em mim. É preciso por uma máscara na felicidade. Os bens matérias muitas vezes são mais importantes do que as pessoas, e isso costumo chamar de orgulho. O amor-próprio e amor pelo próximo, esta cada vez mais escasso. Agora, preciso me preocupar em fazer um menino feliz, da mesma forma que ele me faz. Preciso cumprir horários, fazer a tarefa de casa sozinha, estar para as provas. Preciso me preocupar com o futuro, e além de tudo, buscar minha própria felicidade, e é isso que venho tentando buscar cada dia mais. Se a minha mente, em algum momento me diz para desistir, eu não ligo. Eu tenho um coração para seguir, e é ele que me mantêm aqui ainda, lutando, eu tenho certeza. Mas entre meio tudo isso, a melhor coisa que existe é ser normal, ou melhor, ser diferente, pois quem é diferente acaba se tornando normal.

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